A música, como forma de arte, é essencialmente um brincar. Você diz que "toca" piano — não que "trabalha" o piano. Por quê?
A música difere, digamos, de uma viagem. Quando você viaja, está tentando chegar a algum lugar. E claro, nós, por sermos uma cultura muito compulsiva e obcecada por propósitos, estamos ocupados chegando a todos os lugares cada vez mais rápido, mais rápido, mais rápido — até eliminarmos a distância entre os lugares. Quero dizer, com as viagens de avião modernas você pode chegar instantaneamente. O que acontece como resultado disso é que as duas pontas da sua jornada se tornam o mesmo lugar. Então você elimina a distância e elimina a jornada, mas a graça da viagem é viajar, não apagar a viagem.
Mas então, na música, ninguém faz do final da composição o ponto da composição.
Se fosse assim, os melhores maestros seriam aqueles que tocam mais rápido, e haveria compositores que escreveriam apenas finais! As pessoas iriam aos concertos só para ouvir um acorde estrondoso, porque esse é o fim!
O mesmo vale para a dança. Você não mira um ponto específico da sala onde deveria chegar — o sentido inteiro de dançar é a dança. Olhe as pessoas que vivem para se aposentar, que guardam aquelas economias; e então, quando chegam aos 65 anos, não têm mais energia alguma, estão mais ou menos impotentes; vão apodrecer numa comunidade de idosos. Porque simplesmente nos enganamos o caminho inteiro.
Pensamos na vida por analogia — como uma jornada, uma peregrinação, que tinha um propósito sério no final; e o importante era chegar nesse final: sucesso, ou talvez o paraíso depois da morte.
Mas nós perdemos o ponto o caminho inteiro — era uma coisa musical, e você deveria cantar ou dançar enquanto a música estava tocando.
— Alan Watts
Pare, respire e escute a música que já está tocando. Comece sua prática de meditação agora.
Começar a meditar